O grande defensor da raça negra

A vida e os costumes dos habitantes do Recôncavo baiano. O mar da Bahia. A luta política e social dos negros. As injustiças geradas pela escravidão. A riqueza das religiões afro-brasileiras. A sensualidade. A vivência de malandros, capoeiristas, pescadores e prostitutas são alguns dos temas que temperam a obra de Jorge Amado, um dos mais famosos escritores brasileiros. Nascido na região de Itabuna, em 1912, morreu, em Salvador, em 6 de agosto de 2001, quatro dias antes de completar 89 anos.
Autor mais adaptado da televisão brasileira, o escritor teve inúmeras obras traduzidas para o teatro e o cinema. Seus livros foram publicados em 55 países, em 49 idiomas. No ano em que completaria 100 anos, Jorge Amado é um dos grandes homenageados da primeira Bienal Brasil do Livro e da Leitura, que será realizada, em Brasília, de 14 a 23 de abril.

A Universidade de Brasília exibe, no evento, quatro filmes baseados na obra do escritor. A mostra reúne duas películas produzidas no final das décadas de 1970/1980 e duas realizadas nos dois últimos anos. Uma boa amostragem da produção literária vigorosa do romancista baiano.

Os filmes serão exibidos no Auditório Jorge Amado, no Espaço Bienal (Esplanada dos Ministérios), às 14h, com debates. Entrada franca.

Programação

Dia 16 de abril (segunda-feira)

Quincas Berro D’Água (Brasil). Direção de Sérgio Machado, drama, 2010, 102 minutos. Com Paulo José, Mariana Ximenes e Marieta Severo. Cansado da vida familiar e profissional entediante, Quincas, um funcionário público, foge de casa e cai na esbórnia. Depois de ganhar fama como Quincas Berro D’Água, o rei dos vagabundos, é encontrado morto em seu quarto. Sua família, tentando anular sua vida de malandragem, resolve lhe dar um enterro respeitável. Mas, seus amigos aparecem no local e decidem levar o cadáver para uma última farra. Censura 14 anos

Após a sessão, debate com o diretor Sérgio Machado.

Dia 18 de abril (quarta-feira)

Jubiabá (Brasil/França). Direção de Nelson Pereira dos Santos. Drama, 1987, 107 minutos. Com Françoise Goussard, Catherine Rouvel, Charles Baiano. Conta a história de um amor impossível entre o negro Antonio Balduíno e a loura Lindinalva . Adotado pelo comendador Ferreira, pai de Lindinalva, Antonio é odiado pela empregada portuguesa, Amélia. Expulso da casa do comendador e protegido pelo feiticeiro e macumbeiro centenário, Jubiabá, o jovem órfão torna-se um homem famoso entre os malandros e marinheiros da beira do cais. Censura 14 anos.

Após a sessão, debate com o co-diretor do filme, Ney Pereira dos Santos.

Dia 20 de abril (sexta-feira)

Tenda dos Milagres (Brasil). Direção de Nelson Pereira dos Santos. Drama, 1977, 132 min. No início do século 20, quando o bedel da Faculdade de Medicina passa a defender a raça dos seus ancestrais africanos. Pedro Archanjo é Ojuobá (olhos de Xangô), mulato, capoeirista, tocador de violão, toma cachaça e é pai de muitas crianças feitas com as mais lindas negras, mulatas e brancas. Censura 14 anos.

Após a sessão, debate com o produtor do filme, Ney Pereira dos Santos.

Dia 23 de abril (segunda-feira)

Capitães de Areia (Brasil). Direção de Cecília Amado. Drama, 2011, 96 minutos. No elenco: Jean Luis Souza de Amorim, Ana Graciela, Conceição da Silva e Romário Santos. Em Salvador, capital baiana, nos anos de 1930, menores abandonados que vivem nas ruas enfrentam toda sorte de dificuldades. Conhecidos como “capitães da areia”, são liderados pelo jovem Pedro Bala, praticando crimes como roubo e estupro. Censura 14 anos

Após a sessão, debate com os atores do filme, Robério Lima e Caco Monteiro.


Brasília, 10 de abril de 2012